A minha pseudo entrevista de emprego

17:40



Estou neste momento a entrar na reta final da minha tese: dois mesinhos e nunca mais na vida olho para este documento! (Mentiraaa, na verdade ainda há que por isto em condições de publicar e há uma discussão para preparar!)

Eu sempre fui (e sou) um bocado medricas com mudanças, não gosto delas e demoro bastante tempo até dar "o salto".  Depois do esforço do salto é, geralmente, "smooth sailing" mas até lá peno sempre um bocadinho. 

Estou a chegar ao fim destes últimos 5 anos académicos e está na altura de começar a pensar em dar o próximo salto: o mundo do trabalho! Sou uma orgulhosa Licenciada em Engenharia Informática, pelo que é "suposto" ser fácil arranjar emprego. Isto porque é comum as empresas andarem atrás de nós desde que entrámos na faculdade e até estão presentes em vários eventos da faculdade. 

Nunca andei propriamente à procura de emprego mas sempre estive visível. A minha faculdade tem liberdade de dar os meus contactos às empresas interessadas e tenho um linkedIn actualizado e as consultoras andam sempre a cheirar para ver aonde podem ir buscar engenheiros fresquinhos acadinhos de sair do forno! 

Pergunto-me porque há tanto programador qualificado que não tem necessariamente o grau de licenciatura mas toda a gente se pela por um engenheiro sem experiência (aliás na minha licenciatura aprendi tudo menos a programar! Foi tudo muito do it yourself, mete isto a bombar de alguma maneira!).

Pois bem, uma dessas empresas acabou por me contactar (a mim e a vários finalistas do curso) para ir ter uma reunião para nos conhecermos melhor (dito assim, soa um bocadinho...). E eu decidir ir porque não tinha nada a perder. Excepto umas horitas e o dinheiro que deixei nos parquímetros de Lisboa algo que me doeu um bocadinho. Sabia que quase de certeza que dali não ia sair coelho  e que só me queriam para programadora. Mas pronto, era uma primeira entrevista, ia de mente aberta e no pior dos casos ganhava experiência!

Disclaimer: Eu não sou programadora, não gosto de programar (embora me safe) e até não programo há mais de 2 anos. E lá por estar em informática não implique que queira ou goste de ser programadora. Eu posso estar em informática e querer a área do negócio (eu! eu ! eu!), posso querer jogos, posso querer inteligência artificial, posso querer robótica e por ai em diante. Há áreas com mais programação que outras, e mesmo uma pessoa gostanto de programar não quer necessariamente ir fazer desenvolvimento de software para consultoras

O propósito da entrevista era eles verem o nosso currículo e conhecerem-nos para o pressuposto de recebermos uma proposta e começarmos lá a carreira com direito a uns meses à experiência. 

A entrevista em si foi um bocado flop e não gostei nadinha de lá ir! Ora vamos lá ver porquê:

1. Ora tudo bem que eu ainda sou uma mera estudante e tal, mas parecendo que não eu sou uma Engenheira (até na ordem estou, vejam lá quão chique sou!) o que merece respeito e profissionalismo de um possível empregador! O pré, o durante e prós foi um "shit storm" de erros de básicos. Ora ligavam a pensar que estavam a falar com x e na verdade era y, faltas de confirmações das entrevistas, misturas nos currículos, tempos de espera absurdos e até se chegaram a esquecer de entrevistas. E podia continuar porque só tive mau feedback de colegas que foram também a estas entrevistas.

2. Tendo a empresa diversas áreas e sendo informática, um curso extremamente variado, só nos queriam para uma coisa: desenvolvimento de software! Manifestaram zero interesse no que tínhamos feito para além de programar. Só queriam saber as linguagens que gostávamos ou éramos bons. Não senti que me ouvissem quando disse que não era uma área que me interessava e foi tudo na base no entras e depois há eventualmente mobilidade. Eu não quero entrar e ouvir propostas para  uma área que não me interessa na esperança do "logo se vê"... Até porque as pessoas na entrevista eram de uma área especifica e só conheciam a área em causa. Área essa que não me interessava! 

3. Achei que a entrevista foi demasiado informal e não foi aquela entrevista clássica que uma pessoa está habituada. Há um informal agradável e há o informal de falta de profissionalismo e achei que foi mais o último. Senti que o meu perfil pessoal foi ignorado completamente e que com o meu curso só levava um selo de "programadora" na testa e siga para a linha de montagem... e PRÓXIMO! Sabem a frase do "carne para canhão", pois... foi mesmo isso! 

4. Não gostei da vibe daquilo! Nem propriamente das condições de se trabalhar lá. 

Sai de lá a achar que tinha perdido o meu tempo e o tempo dos moços da reunião. Ligaram-me novamente para ir lá ouvir a proposta (Whaaaaat?) mas já não estava minimamente interessada. 
Houve colegas meus que foram mas que eu saiba nenhum ficou por lá. A oferta não era completamente má, até dava um número bem jeitoso no final mas... isso só se passasses não sei quantas fases e lá pelo meios ainda trabalhavas para eles a ganhar mal até seres oficialmente aceite. 

Pasmo-me é porque isto é numa área com poucos problemas de empregabilidade, em que os estudantes se podem dar ao luxo de rejeitar propostas e mesmo assim eles estragam a nossa primeira impressão sobre a empresa. 

O post grita um bocadinho "roasteeeed" mas foi genuinamente o que senti e achei que o devia partilha-lo com vocês. O post já vai longo mas queria dar-vos um bocadinho de contexto, muito obrigada a quem teve a paciência de ler isto tudo! 

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8 comentários

  1. Claramente deviam também contratar novo pessoal para Recursos Humanos. ahah

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  2. Se estivesse na tua situação acho que também tinha ficado um bocado indignada! Mesmo que sejamos inexperientes, o profissionalismo da empresa devia estar sempre evidente, mesmo em "entrevistas informais". Mas como disseste, não perdeste nada em ir e é sempre mais uma experiência que fica :p
    la veine chronicles

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  3. Não estudei Engenharia Informática e também eu, agora no final da dissertação, tenho sido contactada por algumas empresas para trabalhar no desenvolvimento de software. Pois bem, eu estudei Engenharia Eletrónica e damos efetivamente algumas linguagens de programação (C, C++, Assembley, algumas noções de programação Web que nos permitem desenrascar bem e numa das minhas especializações de mestrado programei muito em Verilog), eu gosto de programar mas não quero (de todo) ser programadora! Neste momento estou muito ligada à área da robótica, o que me deixa feliz e com boas perspetivas de futuro. Óbvio que vou sempre aceitando fazer as entrevistas que me são propostas, mas tal como tu apesar de eu não me mostrar interessada na programação, acho que simplesmente sou ignorada. Das entrevistas que tive, não me posso queixar do tratamento porque achei que foi uma entrevista formal e bem dirigida. No entanto, não gostei do meu trabalho e dos meus gostos serem ignorados e também eu, receber um selo de "programadora" na testa. Imagino então com o teu caso!!
    Beijinhos e desculpa o desabafo!

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  4. Isso da falta de profissionalismo enfim... querem contratar gente que seja profissional naquilo que faz quando nem eles o são, lol

    Vais ver que vais encontrar algo que te agrade, o melhor está por vir :)

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  5. Li tudo, com todo o gosto! Também fiquei mal impressionada com a empresa, pelo teu relato... Que falta gigante de profissionalismo!
    Anyway, fizeste muito bem em aceitar. Continua a aceitar. Quem sabe se um dia não és surpreendida, não é?
    E, como assim... já és engenheira, OMG! Acompanho-te há tanto que quase parece surreal para mim!
    Beijinho*
    http://nouw.com/juu

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  6. Há entrevistas assim. Mas não percas a esperança pois hás-de conseguir encontrar o lugar onde te identificas.

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  7. Estou exactamente na mesma situação. Fui para engenharia informática mas não tenho menor interesse em ficar a programar (confesso que nem sei que empresas devo procurar). Também fiz este curso e a programação que dei também nunca foi lá muito bem ensinada. É bom pra quem já tem background e tenha mesmo vocação o que aparentemente não é o meu caso. Anyway, obrigada pela partilha do texto, afinal não estou sozinha nesse mesmo pensamento :)

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    Respostas
    1. Há muita gente descontente em informática. Não somos só nós ^^ Muito porque aceitam qualquer coisa que lhe propoem. Tenho imensos amigos assim... Que não souberam dizer que não porque tem medo de não achar melhor. Eu quero tentar achar algo que goste porque esta é a altura de se correr riscos e dizer que não. Não é quando se tem casa e despezas fixas. ^^
      Estou exactamente com o mesmo problema. Investigar empresas que possam ter interesse em ter alguém do meu perfil. Mas elas existem! É uma questão de procurar e ver com colegas que já estão a trabalhar o que acham da empresas deles e isso as vezes dá luzes para saber se devemos ou não mandar o currículo.

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