Quando o Jornalismo tem a mente pequenina...

António Cotrim - LUSA

Só assim naquela e bem escondidinho entre as reportagens sobre o combate do século "Mayweather vs McGregor" ouvi dizer que ganhámos o Ouro em K1 5000 e a Prata em  K1 1000 (Fernando Pimenta - Mundial de Canoagem) lá para os lados da República Checa. 
Mas que interessa o que se passa por cá (ou melhor lá, na República Checa) quando podemos estar a ver reportagens sem fim sobre o picanço, o combate, as opiniões, os abracinhos finais e os elogios de um combate milionário lá para as Américas?  (Eu não sou completamente ignorante, eu sei que o McGregor é irlandês!)

Eu até nem sou fundamentalista no que toca ao patriotismo e adoro o mundo global mas qualquer merdinha que acontece para os lados dos Yankees é logo noticia de abertura do telejornal! Coisas como "Donald Trump olha sem óculos para o eclipse" é logo motivo de «OMG, isto tem de ser noticia em TODOS os noticiários!!» Gente, o Trump é um retardado, "period"!!!!!! Não há notícia ai! Vamos abrir um espacinho nas noticias para coisas que se estejam a passar cá e que tenham relevância! 

A minha pseudo entrevista de emprego



Estou neste momento a entrar na reta final da minha tese: dois mesinhos e nunca mais na vida olho para este documento! (Mentiraaa, na verdade ainda há que por isto em condições de publicar e há uma discussão para preparar!)

Eu sempre fui (e sou) um bocado medricas com mudanças, não gosto delas e demoro bastante tempo até dar "o salto".  Depois do esforço do salto é, geralmente, "smooth sailing" mas até lá peno sempre um bocadinho. 

Estou a chegar ao fim destes últimos 5 anos académicos e está na altura de começar a pensar em dar o próximo salto: o mundo do trabalho! Sou uma orgulhosa Licenciada em Engenharia Informática, pelo que é "suposto" ser fácil arranjar emprego. Isto porque é comum as empresas andarem atrás de nós desde que entrámos na faculdade e até estão presentes em vários eventos da faculdade. 

Nunca andei propriamente à procura de emprego mas sempre estive visível. A minha faculdade tem liberdade de dar os meus contactos às empresas interessadas e tenho um linkedIn actualizado e as consultoras andam sempre a cheirar para ver aonde podem ir buscar engenheiros fresquinhos acadinhos de sair do forno! 

Pergunto-me porque há tanto programador qualificado que não tem necessariamente o grau de licenciatura mas toda a gente se pela por um engenheiro sem experiência (aliás na minha licenciatura aprendi tudo menos a programar! Foi tudo muito do it yourself, mete isto a bombar de alguma maneira!).

Pois bem, uma dessas empresas acabou por me contactar (a mim e a vários finalistas do curso) para ir ter uma reunião para nos conhecermos melhor (dito assim, soa um bocadinho...). E eu decidir ir porque não tinha nada a perder. Excepto umas horitas e o dinheiro que deixei nos parquímetros de Lisboa algo que me doeu um bocadinho. Sabia que quase de certeza que dali não ia sair coelho  e que só me queriam para programadora. Mas pronto, era uma primeira entrevista, ia de mente aberta e no pior dos casos ganhava experiência!

Disclaimer: Eu não sou programadora, não gosto de programar (embora me safe) e até não programo há mais de 2 anos. E lá por estar em informática não implique que queira ou goste de ser programadora. Eu posso estar em informática e querer a área do negócio (eu! eu ! eu!), posso querer jogos, posso querer inteligência artificial, posso querer robótica e por ai em diante. Há áreas com mais programação que outras, e mesmo uma pessoa gostanto de programar não quer necessariamente ir fazer desenvolvimento de software para consultoras

O propósito da entrevista era eles verem o nosso currículo e conhecerem-nos para o pressuposto de recebermos uma proposta e começarmos lá a carreira com direito a uns meses à experiência. 

A entrevista em si foi um bocado flop e não gostei nadinha de lá ir! Ora vamos lá ver porquê:

1. Ora tudo bem que eu ainda sou uma mera estudante e tal, mas parecendo que não eu sou uma Engenheira (até na ordem estou, vejam lá quão chique sou!) o que merece respeito e profissionalismo de um possível empregador! O pré, o durante e prós foi um "shit storm" de erros de básicos. Ora ligavam a pensar que estavam a falar com x e na verdade era y, faltas de confirmações das entrevistas, misturas nos currículos, tempos de espera absurdos e até se chegaram a esquecer de entrevistas. E podia continuar porque só tive mau feedback de colegas que foram também a estas entrevistas.

2. Tendo a empresa diversas áreas e sendo informática, um curso extremamente variado, só nos queriam para uma coisa: desenvolvimento de software! Manifestaram zero interesse no que tínhamos feito para além de programar. Só queriam saber as linguagens que gostávamos ou éramos bons. Não senti que me ouvissem quando disse que não era uma área que me interessava e foi tudo na base no entras e depois há eventualmente mobilidade. Eu não quero entrar e ouvir propostas para  uma área que não me interessa na esperança do "logo se vê"... Até porque as pessoas na entrevista eram de uma área especifica e só conheciam a área em causa. Área essa que não me interessava! 

3. Achei que a entrevista foi demasiado informal e não foi aquela entrevista clássica que uma pessoa está habituada. Há um informal agradável e há o informal de falta de profissionalismo e achei que foi mais o último. Senti que o meu perfil pessoal foi ignorado completamente e que com o meu curso só levava um selo de "programadora" na testa e siga para a linha de montagem... e PRÓXIMO! Sabem a frase do "carne para canhão", pois... foi mesmo isso! 

4. Não gostei da vibe daquilo! Nem propriamente das condições de se trabalhar lá. 

Sai de lá a achar que tinha perdido o meu tempo e o tempo dos moços da reunião. Ligaram-me novamente para ir lá ouvir a proposta (Whaaaaat?) mas já não estava minimamente interessada. 
Houve colegas meus que foram mas que eu saiba nenhum ficou por lá. A oferta não era completamente má, até dava um número bem jeitoso no final mas... isso só se passasses não sei quantas fases e lá pelo meios ainda trabalhavas para eles a ganhar mal até seres oficialmente aceite. 

Pasmo-me é porque isto é numa área com poucos problemas de empregabilidade, em que os estudantes se podem dar ao luxo de rejeitar propostas e mesmo assim eles estragam a nossa primeira impressão sobre a empresa. 

O post grita um bocadinho "roasteeeed" mas foi genuinamente o que senti e achei que o devia partilha-lo com vocês. O post já vai longo mas queria dar-vos um bocadinho de contexto, muito obrigada a quem teve a paciência de ler isto tudo! 

Período, o drama!





Apesar de cada vez menos ser tabu ainda se sussurra que se está com o período e que se precisa de material próprio para o efeito. Ao longo da minha década enquanto mulher fértil cruzei-me com diferentes criaturas (fêmeas e machos) com uma aversão ridícula ao tema período.

Convínhamos, é algo intimo não é propriamente algo que se anda a comunicar a toda a gente com detalhes mórbidos mas também não é assunto para levar à debandada geral quando ocasionalmente é mensionado!

Pergunto-me o que leva jovens informados de 20 e tal anos - homens, portanto! - a ter nojo só de mencionar o nome período ou menstruação. Como se fosse algo, pasme-se, contagioso e a praga dos nossos dias. E nós, mulheres impuras, ousamos partilhar com os nossos parceiros que não estamos na nossa graça habitual. Homens criados com mãe e irmãs em casa! Fascina-me como é que se vive 20 anos com uma pessoa que se menstrua e ainda não estão habituados ao tema!

E o mais ridículo disto tudo é que nem estou a inventar ou a exagerar para propósitos de chocar o leitor. Estes homem existem e eu, infelizmente, conheço vários. 

O meu irmão tem 19 anos e sabe quando estou com o período - nota-se, lamento, e ele não nasceu parvo - e até já teve de me ir comprar pensos ao supermercado. Munido da foto da caixa e da informação de qual o corredor certo e lá foi ele. Imagine-se, sobreviveu! Zero traumas até ao dia de hoje... 

Eu sou um free spirit no que toca ao período, namorado meu sabe sempre que estou com o período. Um homem que não aborda normalmente o tema período é um deal breaker.  Alias período implica que não há bebés a caminho portanto é algo que os dois devem estar informados e não só uma parte. E nós ficamos avariadas das hormonas - pelo menos eu fico sensível como tudo - e eles precisam de saber o que se passa. Felizmente o meu namorado tem exactamente a mesma visão que eu sobre o assunto e é bastante informado. Não só porque foi educado assim como sempre se interessou pelos dramas menstruais das namoradas que teve. É de louvar!

O meu período designa-se Mr. Red porque acho o nome fofo. E acho uma graça enorme aos nomes que as mulheres arranjam para "secretamente" se notificarem que estão "de molho". Ai ai secundário em que era frequente ouvir-se que "O Benfica jogava em casa" e que "as portas do mar vermelho se tinham aberto". 

A falta de conhecimento que muitos homens têm sobre o tema Período é tenebroso. Já me perguntaram se "estava sempre a sair" ou se "só saia uma gotinha ou duas por dia". Claro amigos, sempre a menstruar non-stop nós até usamos baldes, em vez pensos! E muitos nem sabem o que é o período, de que é feito e para que serve e que é apenas um problema nosso. Sim, porque a reprodução é feita a 1 e tudo. 

Ainda há muito homem e mulher que vive na idade média e com zero dialogo em casa e que é incapaz de lidar informadamente com coisas banais como o periodo e até o sexo (yep, mas isso é assunto para outro post! Isto de se ter andado num colégio católico encontra-se alminhas de bradar aos céus - ou basta ver o LOT da TVI que tem o mesmo grau de desinformação!) 

Parabéns a nós!



(Well, na verdade o aniversário foi ontem mas... nunca é tarde para celebrar!) 

Quem diria que este blog já conta com 4 aninhos em cima? O tempo passou a correr!

Obrigada a todos vocês por tornarem esta casa num refugio muito especial e me terem permitido conhecer pessoas inspiradoras e incríveis que tem feito parte desta casa desde sempre! Este último ano outras prioridades tem me afastado um bocadinho deste mundo mas continuo aqui  a acompanhar as vossas conquistas e a vibrar como se fossem minhas. 

PARABÉNS A NÓS! 

Longe da vista, longe do coração.

Eu dou-me bem com muita gente, há muita gente que gosto e que tento sempre dar o melhor de mim mas amigos, bons amigos, isso quase não tenho. Mas os que tenho são ouro!

Nunca fui muito boa a fazer amizades! Ou melhor... a minha definição de amigo e a definição das outras pessoas é que, simplesmente, não é a mesma. Entrei na faculdade trazendo três ou quatro amigos do secundário, básico e primária. 

Desde que entrei na minha faculdade perdi grande parte do meu tempo livre o me afastou das poucas que já tinha anteriormente. E mesmo na faculdade, apesar de ser um bicho social e de conhecer toda a gente fazer amigos, Amigos com A maiúsculo é-me extraordinariamente difícil. 
Actualmente é tudo muito efémero e longe da vista igual a longe do coração. Tu para seres amigos de alguém precisas de estar todos os dias e ir para todo o lado juntos como se de gémeos siameses se tratasse.

Eu sei que não sou a melhor pessoa para se manter uma amizade, eu não sou pessoa para querer sair todos os dias com os amigos, não gosto de dramas do secundário, não sou a amiga para ir beber com, gosto muito do meu espaço... No entanto sou a amiga que para a vida toda para estar com um amigo quando há problemas. Mas problemas há de ano a ano e festas há todos os dias. E na altura de escolher é amiga que está "no matter what" que é trocada pelas amigas das festas. 

Se já me magoei? Imenso. Já me desiludi com imensas pessoas que tenha em grande conta e na verdade foram uma merda. Houve pessoas que não cai só uma vez, que aceitei as desculpas e arrependimentos mas que me voltei sempre a magoar. Eu invisto de coração nas minhas amizades. Nos últimos anos tenho aprendido e já sei exactamente o que vai sair de cada pessoa e já não me surpreendo.

Eu não sou parva, alimento é a farsa e sei perfeitamente distinguir quais são as amizades que são verdadeiras e as pessoas que simplesmente querem chupar a minha atenção e não vão fazer um único esforço para a amizade ser reciproca. 

Desde que já não estou em aulas o telefone já quase não toca mas quando toca são exactamente as poucas pessoas de sempre. São as pessoas que "no matter what" vão estar sempre para mim como eu estou para elas e que vibram com as minhas conquistas como se fossem deles. Sem interesses, sem invejas, sem cobrar nada!

Cada vez mais tenho o meu coração fechado a 7 chaves e é preciso ser-se mesmo incrível para eu considerar abrir as minhas defesas.