As capas do momento

7.7.17


Muito nos últimos dias se tem falado sobre as capas da revista Cristina ora em tom de insulto ora em tom de elogio. Tivemos também direito a debates, opinião publica e várias notícias nos meios de comunicação. Um golpe publicitário de génio, na minha opinião. As pessoas estão sedentas de sangue e adoram rasgar as redes sociais de opiniões e revolta. 
A revista é escondida em quiosques e há todo um burburinho à volta que incendeia um tópico que gera tanto desconforto a muita gente.

Pessoalmente fui educada bastante liberalmente embora nunca tive muitos amigos que fizessem parte da comunidade LGBTQ+ (não sei é assim que se diz actualmente, eles todos os anos adicionam uma letra nova que eu não consigo decorar). Para mim sendo todos humanos e cidadãos devemos ter todos os mesmos direitos e deveres. Não faz sentido para mim serem os exteriores a determinado grupo/comunidade fazer leis sobre algo que não sentem na pele. 

Cada vez mais há mais casais homossexuais a mostrar publicamente o seu afecto mas isso ainda é algo invulgar e fora do comum. O que não o torna errado, só diferente. E acho que é preciso um tempo para as pessoas saberem conviver com isso com naturalidade. É uma questão de hábito, ontem vidravam e insultavam, hoje simplesmente olham e amanhã já nem vão reparar de tão natural que é. É a evolução natural de qualquer quebra ao "normal" e ao "socialmente aceite".

Até aos 14 anos, quando fui a Amesterdão, nunca tinha visto propriamente um casal homossexual a trocar carinho em público. Chego a Amesterdão num fim de semana da parada gay. Foi o maior banho de realidade que alguma vez tive. Não havia quase casais heterossexuais à nossa volta e os casais homossexuais estavam com uma liberdade que eu nunca tinha visto. Não me senti de todo incomodada, não achei errado só achei diferente e libertador para quem nos seus países de origem tem de esconder o seus afectos. Sai de Amesterdão uma pessoa  melhor e mais informada.

Quando às capas em si não as aprecio muito. Acho-as pouco bonitas, demasiado perto! Eu não gosto muito de sentir que estou a expor a minha intimidade com o meu namorado na rua. E sinto-me incomodada se qualquer casal se está a "comer afincadamente" à minha frente, desvio o olhar, sinto-me a invadir um espaço que não é meu. Acho desnecessário. E é um bocado o sentimento que tenho quando vejo as 3 capas, que estou demasiado perto dum beijo que não é meu. Mas isto tem a ver com o meu gosto e opinião pessoal e é transversal a qualquer tipo de casal. 

Muita gente diz que este tipo de capa deve ser mostrada às crianças para acharem os beijos homossexuais normais mas eu não concordo. Acho que qualquer dos beijos não mostra amor, mostra erotismo e desejo. E acho que as crianças desde muito pequenas já são sexualizadas com maquilhagens e roupa portanto não há necessidade de mostrar o erotismo e o desejo antes de elas terem idade de serem elas a descobri-lo. 
Há outras formas de mostrar às crianças que a homossexualidade existe e que há pessoas que gostam de pessoas do mesmo sexo e que isso não tem nada de errado. 

Não há necessidade de se ser púdico mas acho que estamos a encarar o sexo com demasiada leveza. Quando se prega nos reality shows que se faz sexo com qualquer um, sem saber doenças e sem qualquer protecção estamos a deseducar as crianças e os jovens. Mas isto é tópico para outro post! 


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3 comentários

  1. Com estas capas, acho mesmo que a mensagem que a Cristina transmite é que esta orientação sexual ainda é uma novidade do outro mundo.
    O que tento dizer é que ao fazer capas apela muito para o facto de ser homossexual ainda ser uma ENORME novidade... supostamente, o que devíamos querer era que a cada dia se tornasse menos wowza e mais natural. Este tipo de publicidade faz com que este assunto volte a ser grande TABU e as pessoas não esqueçam esta discussão incessante.
    Concordo contigo em grande parte do texto em relação às capas efectivamente - porque, isso é que devia ser discutível, porém, a Cristina foca a atenção na orientação sexual... - para mim, também estão muito próximas, a intimidade devia ser isso mesmo: íntima!

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    1. Concordo, infelizmente ainda a homossexualidade ainda é vista muito prejurativamente quando mais a troca de carinhos entre os casais. E concordo que este é um tema que deve ser discutido e as pessoas devem ser sensibilizadas.
      A ideia por detrás eu acho interessante as capas em si, pois... intimidade. Mas as pessoas cada vez mais gostam de mostrar tudo às claras.

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  2. Adoro as capas. Já li que a Cristina "imitou" as capas da revista "Times" em 2013, e não é original. Bem, o que é original hoje em dia? E as da Cristina estão bem mais bonitas pela leveza das cores e da luz. E a proximidade também me "atrai".
    Concordo quando dizes que é um grande golpe publicitário. Se o é. Acho que gosto ainda mais por ter a noção disso. Estamos num tempo em que os media precisam de fazer golpes publicitários para se "safarem", e a Cristina/a equipa dela) sabem como o fazer.
    Sobre o tema. Não me choca. Choca-me os comentários e atitudes homofóbicas. Acho que devia haver mais coisas do género. Mais capas gay, mais filmes gay, mais livros gay, mais personagens gay em destaque nas novelas. Para chocar quem se choca, para agitar as águas, para habituar, para tornar normal.

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