OPINIÃO | Colégios Publico-Privados

29.5.16



Tanta polémica relativa a este assunto, tanta manifestação e opiniões que acho que faz sentido falar um bocadinho do assunto e dar a entender o lobby que se instalou. 

Os colégios publico-privados (CPP) foram, são e serão sempre uma necessidade. O estado não tem fundos suficientes para ter escolas publicas em todo o território e como a escolaridade é obrigatória, todos os alunos tem o direito de puderem estudar a custo zero. Actualmente a maior parte destas parcerias não faz sentido porque já existe escola publica nos conselhos das privadas, mas infelizmente os contractos não foram quebrados, ou sequer reavaliados, e assistimos a uma proliferação estilo cogumelo de escolas publico-privadas. E fomos assistindo a escândalos como o do grupo GPS muito antes destes tão falados cortes nos contratos. 
Para não falar no ar e sem contexto, levantam-se as seguintes perguntas:

O que é que vai realmente acontecer?
O que a medida diz é que escolas que estejam em conselhos em que há oferta publica deixam de poder celebrar novos contratos com os pais, subsidiados pelo estado, isto é abrir novas turmas. As turmas existentes ficam fechadas e as crianças dessas mesmas turmas tem apoio até terminarem os seus estudos até a transição (para escola unicamente privada) estar concluída. 



De que é que se queixam os CPP's?
Com esta medida o estado vai curtar 57% do financiamento às CPP's, ou seja, já não se pode inscrever quem quer, mas sim quem pode pagar os custos do privado. Isso tem impacto no numero de alunos dos colégios e como tal baixar os lucros levando alguns colégios, eventualmente, a fechar. O que é chato para quem lá estuda e para quem lá trabalha, mas estamos a falar de colégios que nasceram com o objectivo de chular dinheiro publico havendo uma escola publica, muitas vezes, nova ao lado e deserta. 

De que é que se queixam os Pais?
Os pais queixam de os seus filhos estarem a passar de cavalo para burro. Andaram muitos anos numa escola privada, com filtragem de alunos (frequentemente por exames de admissão e/ou médias) e a trabalhar arduamente para os rankings (eu conheço o sistema por dentro, logo sei do que falo!) cujo objecto é mais facilmente ter boas notas do que aprender (Os meus 10 anos no privado deram-me uma visão engraçada da coisa).  Ninguém quer voltar a por os seus meninos no público em que entra bons e maus alunos e em que há tanta coisa para se gerir que ter tempo para ensinar por vezes não é uma prioridade. Mas ai entramos noutro problema... estes 20 anos de politicas erradas estão a estragar o ensino publico! E não é a manter o privado à custa do estado que o problema se resolve. Apenas se mascara! Vamos é lutar por um ensino publico de qualidade para todos em vez de só para alguns. 

Que argumentos é que eles invocam?
E porque dizem a verdade é um bocadinho chato... ninguém quer ouvir um pai preocupado com os meninos maus da turma e que isso possa complicar a nota da Mariazinha e do o Joãozinho muito menos um empresário na falência por ter chulado o estado inventa-se argumentos, que são:
  • Os pais querem liberdade de escolha:
Eu ainda não percebi porque é que não pagar um subsidio tira a liberdade de escolha. Os colégios vão sempre existe apenas estão a dizer aos pais que se queres algo, tem de pagar por isso... Ninguém oferece smartphones nem roupa aos meninos, é despesa dos pais. O colégio é exactamente o mesmo. Os colégios só fecham se os novos alunos não tiverem dispostos a pagarem para estudar neles, nesse caso deixa de haver procura. Os portugueses é que não podem continuar a pagar pela escola publica (que muitos pais, escolhem ignorar mas é a sua opção) e pagar tambem pelo privado e inflacionar uma procura que não é real.  
  • o ensino privado fica mais barato
Podemos ir buscar números concretos à analise do tribunal de contas, e ver que o publico é o mais barato, no entanto não é preciso ser licenciado em matemática aplicada para perceber que quando há aluno suficiente para se fazer o investimento numa escola publica com todos os encargos de infraestruturas, pagar também ao ensino privado (que já por si é mais caro que o publico) é um tanto ou quanto absurdo.
  • Vão ser despedidos docentes e não docentes
Como aluna do privado, tive imensos professores que não tinham habilitações suficientes, nomeadamente os professores de línguas. Por serem de determinada nacionalidade passavam directamente a professores sem qualquer formação educativa quer para lidar com crianças e com turmas. Uma vez que o privado não tem tanto controlo quanto o publico, há muita coisa que acontece e que a população em geral não tem a menor noção, infelizmente. 
Se o colégio for bom os pais fazem o sacrifício e a escolha de manter lá o seu filho, caso contrário só mostra o quão inflacionado está a procura do ensino privado. E despede-se do privado para contratar no publico, onde realmente há muita falta de professores e turmas de 30 crianças, o que é inegerivel. 
  • o ensino privado tem mais qualidade
O ensino não é melhor, o ensino é igual ou pior mas como em tudo há bons e maus profissionais em todo o lado. O que realmente faz a diferença é a qualidade dos alunos, temos turmas melhores, filtradas, com objectivos e com metas para o qual trabalham todo o ano e um maior envolvimento dos pais. Não há alunos de bairros carenciados e com problemas de drogas porque casos desses são logo impedidos de se matricularem. Como podemos esperar que um escola publica situada num bairro, dito problemático, compita com uma escola em que os alunos tem apoio, famílias estruturadas, turmas competitivas... não há como comparar. 



Ao longo deste post, foi mais do que clara a minha opinião mas espero que tenha sido bem fundamentada e fruto da minha experiência pessoal, estive dos dois lados da barricada.

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6 comentários

  1. Também estudei num privado até ao 9º ano e não estou de acordo com algumas das coisas que mencionas - nomeadamente trabalhar exclusivamente para os rankings em vez de aprender ou não ter professores com habilitações para tal; nunca senti essa pressão, não fiz exames de admissão, os alunos não eram selecionados e os professores tinham habilitações, sim.
    Entendo o que queres dizer mas acho que escolheste as palavras erradas, palavras essas que levam à generalização relativamente aos Privados (mesmo que te tenhas baseado na tua experiência). Curiosamente, conheço um Colégio - que não recebe apoios do Estado - que aceita alunos menos favorecidos e que lhes oferece a Educação naquele espaço, suportando os seus custos; também é uma forma de solidariedade e apoio à comunidade.

    Quanto aos subsídios, estamos de acordo. Na altura em que foram atribuídos fizeram sentido porque não havia escola pública mas, agora que há, faz todo o sentido que terminem, especialmente com escolas ao lado sem alunos e com condições para os receber. O Privado é Privado por alguma razão.
    E sim, há bons e maus profissionais em todo o lado - e há más práticas tanto no Público como no Privado.

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  2. Há coisas que não se aplicam a todas. Por exemplo: "Não há alunos de bairros carenciados e com problemas de drogas porque casos desses são logo impedidos de se matricularem."
    Na escola onde eu andei, havia-os, assim como os maus alunos. Não havia filtro. Simplesmente, porque é a única escola próxima. Caso isto vá para a frente, a escola pública existente no meu concelho não conseguirá responder à procura, pois irão ficar com 1600 alunos a mais (não já, mas daqui a dois anos, quando tiverem com todos os alunos que deveriam estar no Externato), o que é só ridículo. Já para não falar do transporte que não existe, do facto de as crianças terem de ir para escolas de outro concelho (pela razão que expus sobre só haver uma escola pública)... Enfim! Há casos e casos. A mim, só me cabe avaliar o que conheço e, nesse caso, estão a tirar um grande apoio a toda a comunidade, porque não há escolas, no concelho, próximas - nem públicas, nem privadas.

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  3. Eu fui aluna no grupo GPS, e voltaria a ser mil vezes se fosse preciso! Andei numa pública, e do 7º ao 12º numa privada. São duas realidades completamente diferentes. Quem estuda num colégio, falo do meu que era muitas vezes classificado como dos melhores, tem um ritmo de trabalho muito superior a uma escola pública.
    A educação nesse aspecto não está equilibrada, mas simplesmente não concordo com as novas leis. Não podem pegar nos alunos, como sacos de batatas, e manda-los para onde querem, mesmo que isso implique mudar de escola 5 ou 6 vezes. Sabem o quanto custa uma criança ou adolescente mudar de escola?! Afinal o mundo não é só dinheiro, temos um país de papeis ou de pessoas?!
    Eu acho que os adultos se esquecem que já foram crianças. Simples.

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  4. A situação é complicada, no entanto, privado é privado, ainda para mais quando há a existência de escolas públicas e a frequência num colégio privado é uma opção. É inadmissível pais que têm os filhos em escolas públicas estarem a pagar para outros estarem num colégio privado.
    Beijinhos :)
    http://those-colorful-words.blogspot.pt/

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  5. Não conheço o mundo dos colégios privados, sempre andei numa escola pública e dei-me bem. Pertenci a uma turma onde 5 ou colegas foram para medicina, com médias fantásticas. Eu segui veterinária por escolha. No ensino público também se pode tirar boas notas, também se pode aprender. Basta que o aluno se aplique e tenha força de vontade. Maus professores existem todas as escolas, assim como bons.
    Um beijinho*

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  6. Entendo a revolta de muita gente, mas não faz sentido o Estado financiar privadas quando há muitas há volta! Isso é gastar dinheiro que podia ser aplicado nas públicas. Querem ir para uma Privada? Paguem. Eu não sou obrigada a descontar e o meu dinheiro ir financiar privadas, quando eu andei numa pública, tirei boas notas e não morri. Façam-me um favor!!

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