LV ❤

21.5.16
Há demasiados dias que não ponho os pés na blogosfera mas tudo tem o seu propósito e este texto é em parte um "pedido de desculpa" mas também um "texto de despedida" e um desabafo. 
Este mês deve ter sido dos meses mais complicados da minha vida, não menos complicado do que foi doloroso... E ainda hoje estou a torcer para acabe o mais depressa possível. 
Nunca tive um semestre tão complicado, inflexível, cheio de trabalhos, noites mal dormidas ou até não dormidas e em que eu e o meu namorado mal nos conseguimos cruzar devido à quantidade de coisas que tínhamos para fazer... 

E como se a vida só por si já fosse simples ou sequer fácil, a minha madrinha de 85 anos teve um avc quase fulminante. E depois do desengano e de vários dias em coma dissemos-lhe na semana passada adeus. Estive estes dias todos a processar e resolvi escrever para ver se o que anda cá dentro a consumir-me resolve avançar e dar lugar só à saudade boa. 

Apesar de ser só madrinha, foi muito mais que isso foi um avó que me criou e com quem tive sempre a maior proximidade, amor e confiança. Daquelas pessoas que nos amam com o maior desinteresse e o mais incondicionalmente possível, que acompanham nos melhores e nos piores momentos. Daquelas pessoas que nos mudam as fraldas e nos aturavam os dias inteiros enquanto os nossos pais trabalhavam. Especialmente porque ela e o falecido marido dela nunca terem tido filhos, a minha mãe (porque a ajudaram a criar) e claro nós sempre fomos a família deles. Os netos, e os filhos que eles não tiveram. 

Ela partiu e saio de consciência tranquila que lhe demos todo o amor e consideração que ela mereceu. O ligar todos os dias, o ir lá todas as semanas, os jantares, os aniversários, os natais e o ano novo... fomos da casa, fomos do coração. Porque há família que se escolhe amar. 
Ficaram promessas para cumprir mas que nenhuma delas não foi conseguida por falta de tentativas.

Hoje estou particularmente emocional e fragil porque, tendo ela casa alugada tivemos que a  começar desfazer. Mexer nas coisas da vida de alguém que amamos e que sabemos que não vai voltar é das coisas que mais custa. É esvaziar armários, loiças e recordações e saber que não podemos ficar com tudo tal qual como foi deixado. É ficar com recordações e saber que ela nunca me vai ver licenciada e mestre, conhecer o meu namorado nem vai poder acompanhar o eu um dia comprar casa, quando tiver filhos ou tenha o meu emprego de sonho. Conquistas que vão ser vividas por menos uma pessoa especial mas que eu, como cristã que sou, acredito ela onde quer que esteja estará sempre a torcer por mim e vai apreciar cada momento que também vão ser passados a pensar nela. 

Aquele casal era os nossos 3º par de avós, porque eramos pessoas com sorte e com muito amor.

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3 comentários

  1. Pertencendo à mesma religião que tu, acredito no mesmo. Mas acredito, principalmente, no poder daquilo que os outros deixam em nós. E isso é eterno.
    Desejo-te um milhão de forças para agora (:

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  2. Um beijinho gigante e muita força <3

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