"Não te deixaremos cair, Nelson Évora" - Expresso

30.8.15

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"(...) Esta dor não é fingimento. Experimentem perguntar ao Nelson Évora o que sentiu quando, já depois de ter acabado um treino, decidiu voltar para trás para dar mais um salto e, crac, sentiu a tíbia partir-se. Perguntem-lhe o que sentiu quando soube que não podia defender o título olímpico, quando foi operado seis vezes em quatro anos, quando lhe disseram que corria o risco de lhe amputarem a perna direita. Perguntem-lhe o que é querer saltar e não poder, darem-no como morto para o atletismo, perder patrocínios, questionar-se se valia a pena sofrer tanto. Logo ele, que tinha sido campeão olímpico e mundial, que não tinha mais nada a provar a ninguém. Podia ter desistido, ninguém o recriminaria. Agora, perguntem-lhe o que sentiu esta quinta-feira quando, ao último salto, ali naquele Ninho de Pássaro onde conquistou o ouro olímpico, conseguiu o bronze nos Mundiais e arrancou o dorsal do peito, apontando para o seu nome, como quem diz que a Fénix renasceu.

Esta quinta-feira, como quando Rosa Mota (maratona, 1988) e Fernanda Ribeiro (10.000m, 1996) correram para o ouro, como na prata de Vanessa em Pequim (triatlo, 2008) e de Obikwelu em Atenas (100m, 2006), como no bronze de Rui Silva (1500m, 2004) e em tantas outras conquistas do atletismo e do desporto nacional, voltei a estar colado à televisão (e, agora, também à internet). Portugal não parou para ver o Nelson saltar como faz quando a seleção de futebol joga num grande campeonato, mas devia tê-lo feito. Porque ele é um exemplo do melhor que o país tem e do melhor que podemos ser se acreditarmos em nós. Tudo nele é sangue, suor e lágrimas, esforço, determinação e devoção. Quem tanto sacrificou para ali estar, merece toda a atenção e todos os aplausos. E merecia que o "Correio da Manhã", o "i" e o "Sol" não se tivessem esquecido dele nas primeiras páginas desta sexta-feira. (...)"

- Retirado dum artigo de opinião do expresso, por Nelson Marques.

Por favor leiam o artigo completo e digam-me de vossa justiça. Para mim fez todo o sentido do mundo e não resisti em partilhar. Há que ter orgulho nos feitos dos nossos. Dizer sempre a verdade, confiar, respeitar e acreditar em quem ambiciona mais por nós. Há mais para alem do football e dos desporto, há todo uma imensidão de anónimos que dão o que tem e o que não tem para orgulhar este nosso rectangular à beira mar plantado.  Que nos inspiremos e procuremos ser mais como os americanos, canadianos, suíços e orgulharmos-nos do que aqui fazemos, eleva-lo em vez de deitar abaixo, algo tão típicos desta nossa inveja mesquinha. Façamos mais e melhor por nós e para nós.

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3 comentários

  1. Desde que fiz um trabalho sobre ele no Ensino Básico que olho para ele como uma inspiração e tento acompanhar a sua carreira da forma que consigo. Vê-lo superar uma lesão daquele calibre para conquistar mais uma medalha é algo que poucos seriam capazes de fazer! Tem todo o mérito :)

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  2. Eu vi-o saltar! Aliás até me "irritei" com a equipa de realização por não mostrar por duas vezes o salto dele (para mostrar o aquecimento do Bolt) ... acho injusto a importância que dão ao futebol quando temos outras coisas onde somos tão bons ou melhores e parece que os portugueses só se lembram quando é ano de Jogos Olímpicos (se é que se lembram)

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