Problemas de ansiedade são de facto uma doença

4.7.15
Este post vem no contexto da publicação da Carolina.



Antes de mais quero agradecer à Carolina o excelente post que fez. Porque há doenças silenciosas que ninguém fala e prefere ignorar, infelizmente a ansiedade é uma dessas doenças altamente banalizadas. Digo infelizmente porque acho que nenhuma doença, fobia, mau estar deve ser banalizado ou menosprezado por mais "estranho" que pareça aos nossos olhos.

Quem já me acompanha ao longo deste e do meu antigo blog já deve ter-se apercebido (ou não, visto que não ando de bandeira hasteada a dizer "olhem para mim que sofro disto") e ainda não foi à assim tanto tempo que fiz um post sobre o meu diagnostico médico

Desde pequenina que sempre fui mais "nervosa do que o normal" mas nunca senti que fosse algo condicionador. Apenas sofria mais nos momentos de maior aperto. Comecei ao longo dos anos a reparar que as oscilações abruptas do meu peso, que nunca foi muito, sempre coincidiam com essas mesmas alturas de "stress". 

Nessas mesmas alturas tudo em mim se alterava, eu não conseguia dormir, andava completamente estoirada, sentia-me a mil como se dentro de mim algo fosse explodir, sentia um nó na garganta e um enorme peso no peito. Mal conseguia comer, estava maldisposta e tinha variações de humor. Sentia-me paralisada, demasiado pessimista e insanamente medrosa. Cheguei mesmo a desmaiar de tantos nervos e a uns níveis de cansaço completamente anormais. Tornou-se uma bola de neve.

Bati no fundo, acho que, no ano passado durante o qual tirei a carta, fiz a mudança de curso e que coincidiu com os grandes cadeirões do curso e o que me levou seriamente a repensar as minhas escolhas. Ainda estava "fragil" do processo que foi entrar na faculdade e todas as dificuldades que fui encontrando: o não ter certezas, o não conseguir logo o 10.0 a matemática para me inscrever no meu curso mesmo tendo média, o ter de ir a segunda fase tirar aquele 14 que custou tanto, o não ter entrado logo onde queria, o ter tido problemas na faculdade por copia de colegas meus (atenção foram eles que me copiaram um projecto e não vice versa. Tenho sempre medo de aqui ser mal interpretada) e eu sem saber de nada... um infindável rol de situações temporalmente demasiado próximas.  

Desse bater no fundo resultou o meu peso mais baixo de sempre 39 quilos para 1,56m e semanas sem dormir. Já me doía o coração de tão acelerado que estava e até "pontadas" sentia. Ai senti que me estava a perder psicologicamente e desde ai tem sido uma luta para tentar estar o mais estável possível. Agora já estou nos 42 quilos de novo. Devia ser 45 mas ainda não cheguei a esse nível. É uma luta diária para que a minha vida académica não me coma. Tenho feito, sozinha, progressos e estou extremamente feliz comigo própria. 

Iniciei-me este ano no yoga e estou a adorar. Sinto que faz maravilhas por mim. Sinto-me outra quando lá ponho os pés e é algo que quero continuar a desenvolver. 

Eu não falo assim tanto de mim quanto tudo isso mas acho que há coisas que merecem ser partilhadas. Porque eu aprendi a conhecer-me à bruta "batendo no fundo" e acho que não tem de ser assim a toa a gente.  E apesar de ter escrito imenso no post da carolina e ter contanto isto de forma mais resumida achei que este post poderia, de facto, ajudar alguém. Porque a maioria de nós não partilha o que cá vai dentro e é culpa disso que nascem outras doenças psicológicas mais graves que podiam facilmente ser evitadas. 


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5 comentários

  1. Eu também sempre fui muito nervosa, mas há um ano comecei a ter crises de ansiedade e pânico... não estava bem em lado nenhum e com ninguém, nem conseguia perceber o porquê de estar assim (ainda hoje não percebo muito bem) então muita gente dizia que tinha que sair, estar com pessoas, não pensar muito nas coisas... até podiam pensar que estavam a ajudar mas não estavam, eu precisava/preciso de ser compreendida, não criticada.

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  2. Infelizmente sim, tanto tu e como a Carolina têm razão... doenças psicológicas são muitas vezes vistas como algo estúpido de se ter. Porque "oh, não penses nisso e passa" ou "oh, que exagero" ou "oh, se não dramatizares tanto isso passa" ou "oh, isso não é nada, é só uma má fase". Doenças como a ansiedade, ataques de pânico e até depressão são vistas como "coisas da nossa cabeça", são vistas como "exageros" nossos e, muitos vezes, nem são consideradas doenças. Porque as pessoas não entendem.

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  3. Obrigada por partilhares a tua história, e acho que tens razão, ás vezes é melhor tentar resolver logo o problema, do que deixar acumular ...
    Fico feliz por estares a lidar melhor com isso e por já estares quase no teu peso ideal !!! :)

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  4. Identifico-me muito com este problema, sinto a maior parte daqueles sintomas. A maior parte das pessoas que está à minha beira menosprezam eu estar assim e sinto-me ainda pior. Nos últimos tempos tem-me passado pela cabeça procurar alguma coisa que me ajude, porque me afeta o dia-a-dia.

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